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sexta-feira, 25 de março de 2011

A Piscina e a Cruz

 "Conta-se que um excelente nadador tinha o costume de correr até a água e molhar somente o dedão do pé antes de qualquer mergulho. Alguém intrigado com aquele comportamento, lhe perguntou qual a razão daquele hábito. O nadador sorriu e respondeu: "Há alguns anos eu era um professor de natação de um grupo de homens. Eu os ensinava a nadar e a saltar do trampolim. Certa noite, eu não conseguia dormir e fui à piscina para nadar um pouco.
Não acendi a luz pois a lua brilhava através do teto de vidro do clube. Quando eu estava no trampolim, vi minha sombra na parede da frente. Com os braços abertos, minha imagem formava uma magnífica cruz.
Em vez de saltar, fiquei ali parado, contemplando minha imagem. Nesse momento pensei na cruz de Jesus Cristo e em seu significado.
Eu não era um cristão, mas quando criança aprendi que Jesus tinha morrido para nos salvar pelo seu precioso sangue.
Naquele momento as palavras daquele ensinamento me vieram à mente e me fizeram recordar do que eu havia aprendido sobre a morte de Jesus.
Não sei quanto tempo fiquei ali parado com os braços estendidos.
Finalmente desci do trampolim e fui até a escada para mergulhar na água.
Desci a escada e meus pés tocaram o piso duro e liso do fundo da piscina.
Haviam esvaziado a piscina e eu não tinha percebido.
Tremi todo, e senti um calafrio na espinha. Se eu tivesse saltado seria meu último salto. Naquela noite a imagem da cruz na parede salvou a minha vida.
Fiquei tão agradecido a Deus, que ajoelhei na beira da piscina, confessei os meus pecados e me entreguei a Ele, consciente de que foi exatamente em uma cruz que Jesus morreu para me salvar.
Naquela noite fui salvo duas vezes e, para nunca mais me esquecer, sempre que vou à piscina molho o dedão do pé antes de saltar na água."
Deus tem um plano na vida de cada um de nós e não adianta querermos apressar ou retardar as coisas, pois tudo acontecerá no seu devido tempo.


Beijo nos vossos corações
Pr. Marcos Dornel

segunda-feira, 21 de março de 2011

NO CÉU SERÁ SÓ CURTIÇÃO

Amigos postam fotos "antigas" no Facebook.
Algumas são da turma da faculdade, décadas decorridas. Acabam trocando impressões da época.
Um dos que curtem as imagens e as impressões é o filho de um deles, que escreve, numa madrugada que os fusos horários derretem:
-- Estou gostando desse papo de vocês.
Tantos sonhos, realizados e frustrados.
Tantos ideais, abandonados e confirmados.
Tantos desejos legítimos e ilegítimos.
Sobretudo, tantos risos, tantos abraços, tantos afetos.
Se no céu houver arrependimento (e não haverá, para céu ser), será o de aqui não termos curtido mais nossos amigos.
Preferimos ganhar o mundo, como se isto tivesse valor eterno.
 
Israel Belo

quinta-feira, 10 de março de 2011

Como Crer?


Como crer, tendo um filho ou uma filha que escolheu o caminho das drogas e se recusa a mudar de vida, por mais que a aconselhemos?
Como ter esperança, tendo um corpo doente, regado a remédios caros e incompetentes ou a cirurgias e hospitalizações recorrentes?
Como conjugar a confiança, tendo um pai que alterna embriaguez, autoritarismo e truculência, que experimentamos na pele e na alma?
Como amar o próximo, tendo em nosso meio ou muitas vezes em nossa própria casa uma pessoa moralmente enferma, provocando amarguras, divisões e contendas como uma forma de prazer?

O que fazemos nestas situações?
Como vivemos nestas circunstâncias fora de nosso controle?
Depende de como cremos. 
Se cremos que Deus pode mudar o imutável, continuamos crendo, como Jó, sem desistir de orar por nossós filhos, amigos e parentes. A persistência na oração não depende de sinais de mudança.
Se cremos que Deus nos é suficiente, seguimos com o nosso corpo: ele nos limita, mas não nos impede de viver. A vida é mais que o corpo. A graça é mais que a vida.
Se cremos que Deus cuida de nós, honramos nosso pai como um mandamento, mesmo que nos soe irracional, certos de que seremos honrados por Deus em nossa obediência, mesmo que não a vejamos.
Se cremos que Deus está certo em nos instruir a amar, pomos nossa força no amor ao outro, porque se não amamos o outro não somos capazes de amar a Deus e a nós mesmos.
 
Contribuição Israel B

sexta-feira, 4 de março de 2011

Tesouro No Céu? Vai Sonhando...

Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam. Mas acumulem para vocês tesouros nos céus, onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam nem furtam. (Mt 6.19-20, NVI)


De novo o velho exemplo: ouvi um pregador dizer que iria “ensinar o segredo para tirar os tesouros do céu e desfrutarmos deles aqui na terra”. Como Jesus ensinou o contrário, temos um típico caso de pregação antibíblica, anticristã, e isso em uma igreja evangélica.

Mas em qual tesouro Jesus está pensando quando fez esse anúncio? Será que Jesus acumula alguma espécie de riqueza transferida daqui para lá?

Definitivamente, não. Recorrendo ao velho – e bom – mandamento da interpretação, o contexto, o quê vemos aqui?

No contexto imediato, Jesus acabara de ensinar a oração do Pai Nosso. Esta oração é encerrada com o ensino sobre perdão (“perdoa-nos assim como perdoamos”, v.12) e a soberania divina do Reino (“teu é o Reino”, v.13).

Depois da oração, Jesus fala sobre o jejum: os judeus, com sua falsa espiritualidade (a que Jesus chama de hipocrisia, v. 16), acordavam e nem se arrumavam, permaneciam despenteados, semblante abatido, não se lavavam e saiam às ruas assim, para mostrar que estavam em jejum. Dentro do contexto temos, então, a oração e o jejum, ambos elementos de natureza devocional, espiritual, seja dentro do cristianismo como em qualquer outra orientação religiosa. Nada temos aqui com relação a riquezas e bens materiais.

A chave para entender a natureza do “tesouro” do versículo 19 está aqui, no texto do v. 18 sobre jejum: “Ao jejuar, arrume o cabelo e lave o rosto, para que não pareça aos outros que você está jejuando, mas apenas a seu Pai, que vê em secreto. E seu Pai, que vê em secreto, o recompensará” [algumas versões acrescentam “publicamente”].

O jejum é uma prática milenar que visa à humilhação da alma perante Deus, com finalidade de aproximação do homem ao Senhor. Um dos meus versículos favoritos sobre o jejum diz: “humilhei-me com jejum e recolhi-me em oração” (Sl 35.13). Davi diz que quando seus inimigos o afrontavam, ele buscava em Deus, com oração e jejum, o julgamento de seus inimigos. As ferramentas da oração e do jejum sempre são usadas conjuntamente.

Assim, que recompensa Jesus tem em mente quando fala que haverá tesouros – no caso, para quem ora e jejua? Certamente o contexto remete os pensamentos à santidade, às virtudes que o cristão pode alcançar em sua aproximação do Senhor, por meio da oração e do jejum. É inadmissível a tentativa de ler este texto com as lentes da bolsa de valores. Não, não são os tesouros monetários que Jesus tem em mente. Apenas quando ele for falar sobre a “ansiedade” (a partir do v. 24), é que haverá oportunidade para mencionar os recursos materiais para o sustento das necessidades básicas – e mesmo assim o contexto será a ansiedade e as preocupações da vida!

Dessa forma, desmancha-se a pretensa hermenêutica da prosperidade sobre este texto no Sermão do Monte. As virtudes cristãs são o foco aqui. Jesus faz alusão a elas quando aconselha e orienta-nos a juntar algo diante de Deus, no céu. E alguém conseguiu e ousou pensar em riquezas materiais num ambiente nitidamente espiritual. Nada entendeu dos princípios da fé.

Por @magnopaganelli
http://neoprotestante.blogspot.com/

quinta-feira, 3 de março de 2011

Silêncio e Fé

O silêncio incomoda. Por mais paradoxal que pareça. Sim, o silêncio constrange, perturba, inquieta e nos desafia a quebrá-lo. Vivemos em meio a um burburinho. Sirenes, motores, vozes e caixas sonoras com potências desconhecidas pelo decibelímetro. Arrisco dizer que isso é só uma projeção dos barulhos internos que povoam a alma de cada um de nós. Num jogo de futebol, um minuto de silêncio, é apenas vinte ou trinta segundos. Num culto, a oração silenciosa de alguns minutos, torna-se, para muitos de nós, uma eternidade. Em casa, o vozear da televisão ou do rádio, desfaz o medo da solidão e do silêncio.

Para nós crentes, há um silêncio ainda mais perturbador. O silêncio divino. Deus, às vezes, também silencia e o céu se cala. Eu, possivelmente como você, já vivi a experiência do silêncio divino. Davi também: "Deus meu, clamo de dia, e não me respondes; também de noite, porém não tenho sossego" (Sl. 22:2). A oração mais comum em tempos de quietude celestial é: "Ó Deus não te cales; não te emudeças..." (Sl. 83:1).

Já orei por uma série de coisas que não aconteceram. Quando orei por minha mãe seriamente enferma, depois recebi a notícia de seu falecimento, foi minha primeira séria crise com o silêncio divino, talvez com a audição divina. Afinal, antes de pensar que Deus não me respondera, inferi que Ele não me ouvira. Mas logo, sobrenaturalmente, minha dúvida quanto a suposta surdez de Deus se dissipou. Então, eu sabia que Deus havia me ouvido, mas ainda não entendia, porque não havia me respondido.

Experimentei um pouco do drama de uma família que perdeu um filho de cinco ou seis anos, vítima de leucemia. O casal, recém chegados ao Evangelho, vieram de uma cidade do interior goiano para o tratamento da criança na capital. Deixaram sua casa e trabalho no interior e, fixaram residência em Suzano, esperando um milagre. Ainda me lembro e choro, ao recordar do Tiaguinho, um menino que a priori parecia não ter nenhum problema aparente, Visitei-o no hospital. E confesso que nos últimos dias de sua breve vida, quando os médicos o liberaram pra que ficasse em casa, temi visitá-lo, sensível ao quadro de dor e gemidos da criança e ao desespero dos pais.

Foi em meio às circunstâncias e experiências desse tipo que o conceito de fé se tornou mais nítido pra mim. Compreendi o significado da crise de Habacuque diante do silêncio divino: "Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás?" (Hc. 1.2), e da resposta de Deus conclamando o homem à fé: "... mas o justo viverá pela sua fé." (2:4). Teceu-se diante de mim o conceito de que fé é muito mais do que poder operador de milagres, é antes descanso num Deus soberano e bondoso. Caio Fábio disse certa vez que "ter fé, quando não há milagres, é um milagre maior do que ter fé para operar milagres". Portanto, a fé que agrada a Deus é muita mais do que o poder que opera o impossível, mas a convicção, que diante do soberano silêncio de Deus, não arrefece nem se amargura.

Já me impressionei muito com testemunhos de milagres, eles ainda me comovem. Mas nada me fortalece mais do que ver cristãos que, mesmo diante do silêncio, dores ou tragédias; continuam a confessar:

"Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no Senhor, exulto no Deus da minha salvação." (Hc. 3: 17-18)

Por Luciane Dornel