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sexta-feira, 18 de março de 2011

Pastores Que Sofrem nas Mãos da Igreja ed e Seus Donos – O Outro Lado da Moeda.

Devido a existência de uma casta de pastores que vivem nababescamente fazendo do nome Deus catapulta para o enriquecimento pessoal, um número incontável de pessoas associam o ministério pastoral a um meio fácil e desonesto de enriquecer e ganhar dinheiro.


Lamentavelmente sou obrigado a concordar que alguns dos chamados “ministros de Deus”, em virtude da fama e do poder que o ministério lhes pode conceder, negociaram a fé, trocando suas almas, sonhos e dignidade por trinta moedas de prata. Tais pessoas imbuídas de uma espiritualidade mística e sensacionalista transformaram-se em mascates da fé promovendo invencionices escalafobéticas cujo objetivo final é a sua prosperidade financeira. Todavia, ao contrário do que se possa imaginar existem em nosso país, milhares de pastores que não se dobraram diante deste espírito mercantilista. Na verdade, conheço inúmeros ministros do evangelho que passam significativas necessidades simplesmente pelo fato de terem se recusado a vestir a carapuça do coronelismo, optando assim por viver a vida cristã de forma santa, irrepreensível e ilibada.


Alguns destes ministros (nem todos, graças a Deus) sofrem horrores nas mãos de seus conselhos, presbitérios e assembléias, que de forma desrespeitosa humilham seus pastores pagando-lhes um salário de fome. Não são poucas as vezes que diante de uma crise financeira a igreja propõe a diminuição do salário pastoral ou o corte do plano de saúde dos filhos, ou até mesmo demissão do ministro. Para piorar a situação, alguns consideram o trabalho do pastor fácil demais, daí não entenderem a necessidade do pastor gozar férias, isto sem falar no massacre emocional que fazem sobre a esposa e familia do pastor exigindo deles perfeição em todos os momentos da vida.


Caro leitor, ouso afirmar que alguns irmãos não tratam seus pastores como deveriam. Vez por outra recebo emails ou ouço de algumas pessoas criticas relacionadas ao salário dos pastores. Ora, como mencionei anteriormente, sei existirem alguns pastores que vivem nababescamente usufruindo do dinheiro do povo de Deus, no entanto, a esmagadora maioria dos líderes cristãos lutam com dificuldade para sustentar suas famílias. Sei de incontáveis histórias de homens de Deus que trabalham duro fazendo tendas, visto que a igreja que pastoreia não valoriza o seu serviço pastoral pagando-lhe um salário digno.


Ora, assim como os membros de sua igreja o pastor precisa pagar suas dividas, saldar seus impostos, vestir seus filhos, pagar escola, comprar material escolar, e tantas outras coisas mais. No entanto, parece que parte da igreja de Cristo encontra-se anestesiada quanto as necessidades de seus líderes espirituais, mesmo porque, para alguns o pastor não deveria receber salário.


Há pouco soube de uma história no mínimo triste. O tesoureiro de uma igreja teve a cara de pau de afirmar o seguinte: - “Ué, ele não é pastor? Que viva pela fé! A igreja não tem dinheiro para pagar este mês o salário dele.” Em outra situação, a junta diaconal disse: “Ele está reclamando de quê? Ele que espere! Quando a igreja tiver dinheiro paga o que lhe deve!”


A Bíblia ensina que quem ministra do altar deve viver do altar. "Não sabeis vós que os que administram o que é sagrado comem do que é do templo? E que os que de contínuo estão junto ao altar participam do altar? Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho." (I Coríntios 9.13-14).


Caro leitor, a orientação do Senhor é clara em afirmar que os que anunciam o evangelho que vivam dele. Além disso, as Escrituras afirmam que “devem ser considerados de dobrados honorários os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que afadigam na palavra e no ensino . Pois a Escritura declara: Não amordaces o boi, quando, quando pisa o trigo. E ainda: O trabalhador é digno do seu salário” ( Timóteo 5.17-18)


Diante do exposto, acredito que a Igreja de Cristo deva tratar com amor, respeito e consideração àqueles que no Senhor os tem presidido. Lidar com desdém e desprezo o salário de homens de Deus que dedicam suas vidas a oração, ensino e pastoreio de vidas é opor-se aos ensinamentos dos apóstolos.

Pense nisso!

Pr. Renato Vargens

terça-feira, 15 de março de 2011

Pastor & Igreja: Uma Relação (conjugal) Em Crise

A mútua desconfiança

Após minha palestra numa conferência para pastores e líderes, um homem de aproximadamente 50 anos pediu para que conversássemos a sós. Seu semblante estava visivelmente caído e seu olhar sem brilho algum. Ele era um pastor que, após doze anos de dedicação à sua comunidade local, havia sido comunicado pela liderança de que estaria dispensado para o próximo ano. A alegação era que ele já não estava correspondendo às expectativas da comunidade e que ela gostaria de respirar “novos ares”. Tomado por um sentimento de baixa auto-estima, envolvido pela desesperança e com o coração amargurado, aquele homem, olhando para o chão, me disse: “Sinto-me usado. Fui totalmente consumido e agora sou descartado”.

Conversas como esta sempre me trazem à lembrança alguns diálogos com amigos que participam da liderança em suas igrejas locais. Entre eles, parece ser crescente o número daqueles que relutam em confiar nas motivações de um pastor. Alguns foram testemunhas da história bem comum do jovem pastor que, diante da comunidade, jura amor eterno, mas diante de uma melhor oportunidade ministerial (ou profissional?), parte com descaso em nome do “senti que esta era a vontade de Deus”. Sentimento ainda pior encontro naqueles que, após se renderem à liderança daquele que demonstrava intimidade com Deus e consciência de sua vontade, descobrem que suas motivações eram obscuras e seu caráter, questionável. Cada um desses líderes locais, em outras palavras, também está dizendo: “Sinto-me usado. Fui totalmente consumido e agora sou descartado...”

Essa situação tem, silenciosa e gradativamente, instalado uma relação de mútua desconfiança entre pastores e igrejas. Para alguns, como sapos imersos na água que vai sendo aquecida, ela nem existe. No entanto, o número de vítimas vai se avolumando, tanto entre pastores como entre igrejas locais. Em nosso meio, cresce tanto o descrédito na figura do pastor — seja por situações de descaso no trato da igreja, seja por escândalos que se tornaram públicos — como o número de seminaristas e jovens pastores que caminham para a sua primeira experiência ministerial diante de uma comunidade cristã pensando em como ali viver sem deixar-se ferir mortalmente. 

Creio que essa relação de mútua desconfiança tem origem numa crise de identidade em que tanto pastores como igrejas se vêem envolvidos na atualidade. Os pastores, cercados por uma sociedade secularizada, que não valoriza sua vocação e seu serviço, são interiormente pressionados a provarem seu valor por meio de cursos acadêmicos, cargos eclesiásticos, estabilidade financeira ou ministérios espetaculares. Por sua vez, as igrejas locais são alvos do assédio de uma pluralidade de metodologias pragmáticas mais preocupadas em fazer clientes ou franqueados do que em contribuir para que, por meio de um pensar teológico e missiológico, a comunidade venha a ser tão-somente aquilo que Deus quer que ela seja.