quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Gospel: Que música rentável dos diabos!


Texto de Ricardo Feltrin publicado originalmente no F5
Que música rentável dos diabos!
Enquanto o bispo Edir Macedo faz muxoxo e prega que alguns cantores gospel são “endemoniados”, a Globo e o SBT investem nesse estilo, ah, digamos, “satânico” e obtêm bons retornos financeiros. A Globo se beneficia pelo fato de que o gospel é um dos únicos estilos musicais que ainda tem boas vendas na indústria videofonográfica. Há uma campanha maciça de artistas e empresas no sentido de “pecamizar” a compra de produtos piratas. Vídeos da grande editora e gravadora gospel BV Filmes, por exemplo, obrigam seus proprietários a ler mensagens como “Deus não gosta de pirataria” antes de qualquer filme ou show gravado.
Thank You, Lord!
Nas Organizações Globo, o resultado do selo Som Livre Gospel este ano será motivo de orgulho. CDs como os das séries religiosas “Promessas” e “Infinito Amor” estão no topo das paradas; o mesmo ocorre com DVDs como os do padre católico Fábio de Melo ou da evangélica Ludmila Ferber. Tudo que é gospel vende bem. Não será de admirar se a Globo ainda tiver um programa de música gospel em sua grade de programação antes da Record.
Cutuca
A banda Diante do Trono, por edemplo, cuja vocalista Ana Paula Valadão (foto) foi publicamente “endemonizada” pelo bispo Macedo, sempre está no ranking de CDs mais vendidos da Som Livre. O grupo tem grande destaque também no site da gravadora. Nas últimas semanas, a Globo também passou a exibir propaganda de seu selo gospel de maneira ostensiva nas madrugadas. “Música para louvar”, diz o locutor nas propagandas do elenco religioso da Som Livre.
Pregação antigospel
Até o SBT entrou na boquinha…
Até o SBT do judeu Silvio Santos, sempre tão laico, acabou se rendendo ao estilo evangélico. O responsável é Raul Gil, que injeta gospel nas tardes de sábado, com seu show de calouros. Raul é um veterano na área, e já descobriu estrelas do canto gospel, como Robinson “Anjo”. Revelado por Raul na Record, Robinson, vejam só, acabou virando artista da Line Records, que vem a ser gravadora de quem? Hein? Hein? Reeeesposta ceeeerta, leitora querida. De Edir Macedo!
No princípio era o gospel…
Curiosamente, o gospel foi relevante nos primeiros anos da Universal. Por anos, seus cultos tinham cantores e até bandas formadas por fiéis. A ruptura de Macedo com o gospel ocorreu em algum ponto entre meados dos anos 90 e 2000. Uma das teorias reza que Macedo nunca foi fã, mas passou a desprezar o gospel depois da saída do bispo cantor Renato Suhett. Esse homem chegou a ser considerado o nº 2 de Macedo, nos anos 90.
Então o bispo desafinou…
Mais tarde, Suhett sairia da igreja, descontente com os cargos que Macedo lhe oferecia em áreas administrativas, tirando-o, digamos, do púlpito. “Eu só queria cantar para Deus”, disse Suhett. E saiu. Anos depois, voltou, mas logo se irritou com uma “quarentena” de posições ou cargos imposta pela cúpula da igreja, e saiu novamente.
Gospel Line
O desgosto com o estilo, porém, não impediu a Igreja Universal de investir e lucrar milhões com sua gravadora. Mas sem propaganda. Notem que artistas da Line Records quase não têm chance na programação da Record.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

A Inconveniência de Encarnar o Evangelho numa Sociedade Baseada na Conveniência

Carlos Moreira

"Estamos acostumados ao sacrifício do ideal sobre o altar da conveniência e do ganho imediato". Stuart Holden.

Introdução

Você já imaginou como seria a vida humana sem algumas invenções surgidas, sobretudo, a partir da modernidade? Você conseguiria, por exemplo, imaginar viver sem energia elétrica? Sem água encanada? Sem refrigerador? O que seria de nós se vivêssemos sem ar-condicionado, carro ou elevador?

Tenho absoluta certeza de que, para muitos, a vida seria insustentável se não houvesse telefone celular, internet, shopping center, televisão ou CD player? Na verdade, a lista de indispensáveis que são supérfluos é interminável. E por que digo isto? Por que toda a civilização humana que viveu antes de nós não tinha nenhumas destas coisas.

O sociólogo francês Alain Touraine, afirma que nós "vivemos numa sociedade de consumo, onde as mercadorias passaram a mediar nossas relações formando uma sociedade que vive a "modernidade triunfante". A emergência dessa sociedade de consumo é fruto dos avanços e das mudanças que o mundo sofreu, principalmente, no século XX. Neste contexto, afirma, é possível se experimentar a satisfação imediata de quaisquer que sejam as nossas necessidades, desde que se pague por isso.

Um dos teóricos que influenciou Touraine foi Karl Marx que, por sua vez, já afirmava em suas análises sobre o que designou chamar de materialismo dialético, ainda no século XIX, que "a produção é, pois, imediatamente consumo; o consumo é, imediatamente, produção...". Pois bem, o resultado de todo este avanço tecnológico e científico provocou o surgimento do fenômeno que está sendo denominado de: “sociedade da conveniência”.

A Vida Baseada na Conveniência

Viver nos grandes centros urbanos tornou-se tarefa extremamente difícil. Convivemos diariamente com engarrafamentos, violência, poluição, serviços governamentais de péssima qualidade, dentre outras questões insuportáveis. Em busca do lucro, empresas almejam fazer mais como menos. As pessoas estão assoberbadas, com agendas intermináveis, reuniões, metas a serem batidas, busca pela qualificação, concorrência. São tantas demandas que cada vez mais aumentam os casos dos que, sem estrutura emocional e psíquica para suportar tais pressões, acabam adoecendo.

Fato é que nos tornamos, além da sociedade do consumo, a sociedade da depressão, da ansiedade, do pânico, das doenças psicossomáticas. Ganhamos dinheiro para gastá-lo no consultório do analista; vivemos anestesiados por diasepínicos e ansiolíticos. Sobre isto, bem citou George Calim, escritor americano, "temos acrescentado anos a nossa vida e não vida aos nossos anos".

Supostamente, para minimizar – ou seria melhor dizer anestesiar – todos estes impactos, surgiu o conceito da conveniência. A conveniência existe para você se sentir único, exclusivo, singular. Ela exalta o conforto, a facilidade, a praticidade. Seu alvo é fazer você economizar tempo, evitar transtornos, fugir de desgastes desnecessários.

Viver na sociedade da conveniência é possuir tudo a mão: a comida solicitada por telefone com entrega imediata, a loja aberta 24 horas com produtos de utilidade doméstica, serviços prestados com hora marcada, manobrista no restaurante, paty shop para o seu cão, banco pela internet, TV por assinatura, quiosques dos bancos em lugares de fácil acesso, até flores você pede por telefone e paga com cartão de crédito! 

Conseqüências e Desdobramentos Inevitáveis

O problema de se viver numa cultura que minimiza o esforço, que dilui a perseverança, que nos dá a falsa sensação de que o mundo gira em torno de nós, é o surgimento de uma geração de pessoas acomodadas, letárgicas, preguiçosas, descompromissadas, que vivem na zona de conforto, que não se mobilizam, que não protestam, não se sentem responsáveis por nada nem ninguém que não esteja diretamente ligado a si.

Pouco importa o destino do planeta, ou a dor dos necessitados. Pouco importa a miséria, a opressão, a injustiça, pois, a única coisa que importa, é que meu conforto e as minhas conveniências sejam supridos.

Como pastor, ouvindo pessoas todos os dias, observo que este estilo de vida, que vicia e produz dependência, moveu-se das questões econômicas e acabou por instalar-se nas dinâmicas da espiritualidade humana. Vivemos hoje o que posso denominar de uma “espiritualidade baseada na conveniência”.

A igreja de nossos dias tem dificuldade de entender a proposta de Jesus. “Vinho novo em odres novos”, ou seja, uma consciência ressignificada em busca de construir uma espiritualidade consciente, conseqüente e sustentável!

As igrejas estão cheias de pessoas vazias! A religião, bem afirmou Marx, tornou-se alienação. Nietzsche estava certo ao afirmar, ainda no século XIX, que nós matamos Deus! Sim, sepultamos o sagrado em nossas liturgias ocas, em nossos ritos de ocasião, tentamos aprisionar Deus com nossos dogmas, transformamos a fé em um discurso desassociado da prática, cauterizamos nossa consciência e, como conseqüência, nosso coração petrificou-se.

Os Fenômenos Surgidos a Partir da Espiritualidade Baseada na Conveniência

Na minha percepção, existem pelo menos três fenômenos produzidos a partir deste modelo de espiritualidade baseada na conveniência.

O primeiro é a possibilidade de construção de uma “fé self-service”. A quantidade de informação disponível em nossos dias é algo sem precedentes. As pessoas, em sua ânsia e desespero de ter suas necessidades atendidas, buscam satisfazer seus desejos em qualquer lugar, ouvindo qualquer pessoa, desde que isto vá de encontro as suas necessidades. Elas não se fixam em uma comunidade, sob orientação de um pastor, mas vivem pulando de “galho em galho” atrás de algo que seja “inusitado”, “diferente”.
É assim que surge a “fé self-service”. Ela nada mais é do que a “costura” de um conjunto de doutrinas desconexas, sincretizadas a partir da teologia pregada por várias denominações. O “fiel” vai juntando as partes do “quebra-cabeça” a partir daquilo que entende, e não daquilo que, na verdade, as Escrituras afirmam. Ele vai hoje aqui, amanhã ali, depois acolá; é um “culto de poder”, um “profeta famoso”, um “missionário de sucesso”, é a leitura de um livro “poderoso”, o programa de TV “ungido” e, com tanta informação desencontrada em sua mente, acaba criando uma “fé Frankenstein”, um monstro que tomou vida a partir de conteúdos “enxertados, cortados e costurados” em sua consciência.

A “fé self-service”, todavia, possui uma grande “vantagem”: o indivíduo pode fazer aquilo que deseja, pois sua vida passa a ser regida por uma “sopa” de doutrinas exercitadas de tal forma a lhe satisfazer os desejos. Com a consciência anestesiada, e sem qualquer discernimento espiritual, ele vai levando, como diria o Chico, só não sei onde vai parar...!

O segundo fenômeno que percebo é o surgimento da “Igreja Commoditizada”. Do que se trata? Bem, segundo o Wikipédia, “uma commmodity é algo relacionado aos produtos de base em estado bruto (matérias-primas)... de qualidade quase uniforme, produzidos em grandes quantidades e por diferentes produtores”.
E como isso se aplica as igrejas? É simples! As igrejas, apesar das inúmeras denominações (produtores), tornaram-se lugares muito parecidos, uniformizados, com cultos e programas muito semelhantes (matérias-primas). Desta forma, o “crente” acaba não tendo muitas opções, fica obrigado a “beber” o “sopão” que está sendo oferecido. Mas lembre-se: estas pessoas estão acostumadas à conveniência, a serem tratadas de forma singular, exclusiva, diferenciada. E é aí que o “bicho pega”!...

Em busca de atrair o “crente-cliente”, as igrejas buscam diferenciar-se uma das outras através de estratégias as mais bizarras possíveis. São cultos de catarse, exorcismo com direito a entrevista com o capeta, “curas e milagres” ao vivo, louvor com “cantores gospel”, “pregadores famosos”, e tudo o mais que possa diferenciar uma “loja religiosa” da outra. Sim, porque nestes lugares, o que se tem é um “balcão de prestação de serviço”, não uma comunidade de fé! Quanto mais “atrativa” for à programação, tanto maior será a possibilidade de atrair os “fiéis”, afinal, não esqueçamos, eles estão atrás de conveniência!        
Finalmente, o terceiro fenômeno que observo é aquele que produz uma relação com Deus no modelo “on-demand”. O conceito de on-demand surgiu a partir do mundo da tecnologia para permitir a contratação de produtos e serviços conforme a demanda das pessoas, ou seja, você adquire algo na medida certa, que se adéque a sua necessidade. Um exemplo disto são os pacotes oferecidos pelas operadoras de telefonia celular, com opções das mais diversas para os clientes.

Uma relação com Deus baseada no modelo on-demand é aquela na qual a divindade está a serviço da criatura. Deus passa a ser uma espécie de gênio da lâmpada e é acionado sempre que surge uma crise ou quando se quer resolver algo. Deus torna-se um office- boy, ele existe para dar conta de nossas demandas existenciais, por em ordem nossas desordens, aplacar nossas culpas, aliviar nossas dores, perdoar nossos pecados, abrir portas fechadas, tudo conforme a demanda, tudo conforme aquilo que precisamos.  

Conclusão

Num tempo onde a espiritualidade humana se desenvolve baseada em uma fé self-service, as igrejas, commoditizadas, buscam promover “atrações” e “efeitos especiais” par atrair os “fiéis”, e a relação pessoal com Deus está baseada num modelo on-demand, o que podemos esperar?
Conversando com o ministro de música de nossa comunidade, ele me falou do Cristão 3"S". Você conhece este tipo? Os 3"S" significam: salvo, sentado e satisfeito! Triste, mas real. Na sociedade da conveniência, quem está salvo não precisa fazer mais nada, por isso pode ficar sentado, apenas assistindo, e quem está sentado, numa igreja que transformou o culto num espetáculo do Cirque Du Soleil, tem é que estar mais do que satisfeito!

Por tudo isto, constatamos o quão inconveniente é encarnar o Evangelho numa sociedade que está baseada na conveniência. A questão central é que a mensagem de Jesus exige, justamente, a renúncia, a abnegação, o compromisso, o negar-se a si mesmo, o tomar a sua cruz. Isto, obviamente, requer o abrir a consciência para os conteúdos da mensagem do Nazareno, permitir que o caráter de Cristo seja esculpido em nosso caráter. Em resumo, dá trabalho, e leva tempo, ou seja, não é conveniente...   

Diante de tudo isto, só tenho uma coisa a dizer: Maranata! Vem Senhor Jesus! 


VIA

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Se é GOSPEL, pode?!


Um dia O GOSPEL será isto...
Acordei esta manhã e fiz minha prece gospel, liguei o som e botei um cd de punk-rock gospel enquanto colocava minha vestimenta gospel. Então saí para dar um rolê gospel.
Na banca de jornal comprei uma revista de fofocas gospel, e fui lendo enquanto viajava de ônibus até o centro da cidade, onde teria uma “parada” gospel com uns amigos skatistas. Parei de ler quando reparei em uma mina gospel, muito gatinha, de calça e mini-blusa gospel. Comecei ali mesmo no buzão uma paquera gospel e perguntei à brotinha gospel se queria ficar comigo. Ela, como “ficante” gospel topou. Convidei-a então para tomarmos um drink gospel em um barzinho gospel super badalado que conheço.
Depois fomos a um cinema gospel, onde no escurinho podia então dar uns amassos gospel nela. Mão gospel boba pra cá, mão gospel boba pra lá, estávamos a mil. Então depois do cine resolvemos ir até uma balada gospel descarregar nossa adrenalina toda em uma danceteria gospel.
Yeah! Demais!
Escureceu e não deixei ela ir pra casa. Convenci-a que sendo eu um cara gospel, não iria só “ficar” com ela, mas que logo-logo assumiria um namoro gospel. E com base nessa promessa a convenci a esticarmos nosso programa gospel, levando-a até um hotel gospel onde fizemos um amorzinho gospel.
A Acompanhei depois até em casa, e ela me convidou para entrar. Conheci seus pais, crentes liberais, não muito gospel, mas gente-fina! Subimos até o seu quarto pois ela queria me mostrar seu cantinho gospel. Notei nas paredes pôsteres de seus artistas gospel preferidos e ela mostrou-me sua coleção de cds de reggae gospel, rap gospel e música eletrônica gospel. Enquanto ela foi até o banheiro, dei uma lida em seu diário gospel e vi que ela registrava todas as suas aventuras gospel com os carinhas gospel que conhecia. Fiquei imaginando que o meu nome e o que eu fizesse, preencheria as próximas páginas daquele caderno gospel.
Ficamos conversando até tarde e ela convidou-me a dormir na casa dela. Liguei pra minha mãe para avisar e ela embaçou na minha, porque não é gospel, é cristã caretona. Gastei saliva para conseguir sua aprovação, garantindo que a noite seria completamente gospel e tranqüilizei-a. Trancamos a porta do quarto, acendemos um baseado gospel, curtimos uma viagem gospel em nossos delírios e depois fomos dormir, ela de roupa íntima gospel e eu, uma vez que não tinha outra roupa na mochila, fui pra cama só de cuecão gospel mesmo. De madrugada acordei e vomitei um pouco, o que, despertou-a . Então ligamos o chuveiro e tomamos um banho gospel quentinho. Carícia gospel pra cá, carícia gospel pra lá, não preciso dizer que acabamos fazendo um “sexozinho” gospel novamente. Que delícia!
Adoro esse negócio de ser gospel. Coitados dos meus pais cristãos e de meu irmão cristão mais velho… na época deles não existia ainda esse estilo de vida gospel com total liberdade. Faço o que quero, sem problemas, afinal se é gospel pode!
De fim-de-semana, enquanto meus pais vão na igreja, eu vou pro “louvorzão” e aos points gospel com meus gospel friends. Cada um na sua!
Minha mina é gospel, meus programas, o que compro, o que consumo, tudo é gospel, logo, não estou pecando certo? Afinal de contas eu sou jovem e tenho que aproveitar a vida! 
Essa é a introdução do conto “Fred E Edmundo” do autor: Ricardo Miranda.
Comentário: O Texto mostra exatamente como as pessoas presas na bolha GOSPEL enxergam a vida, "o que é gospel é santo" isso é MENTIRA DO CAPETA! Já vi pregações dizendo assim:
- Não precisa ouvir musica do mundo, você tem MUSICA GOSPEL para escutar, não precisa dançar pagode do mundo, na igreja se toca PAGODE GOSPEL, não precisa ir em um show de rock, você pode ir em um show de ROCK GOSPEL" -
Me diz qual a diferença? A palavrinha GOSPEL na frente? Quem foi que disse que o que é GOSPEL é de Deus? Hermano, se tu vive uma vida GOSPEL em todos os sentidos, eu te convido a pesquisar sobre o assunto, a estudar, a meditar, julgar a luz da biblia e no final você entenderá que o GOSPEL consegue ser mais do diabo do que qualquer outra coisa...

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Encontro de Foz cria rede mundial de blogueiros

Movimento que teve início em agosto de 2010, reúne participantes de 23 países em Encontro Mundial, e já deixa agendado o próximo para novembro de 2012

Por Adriana Delorenzo [01.11.2011 11h23]
Blogueiros, “twiteiros”, “facebookeiros”, ativistas, militantes, jornalistas, estudantes e professores de comunicação estiveram presentes para debater as novas mídias em Foz de Iguaçu (PR).  A cidade, que faz fronteira com Paraguai e Argentina, foi a sede do 1º Encontro Mundial de Blogueiros, que reuniu 468 participantes de 23 países e 17 estados brasileiros.


A diversidade foi a marca do encontro, que abordou o papel da internet e as novas mobilizações articuladas pela rede, como o “Ocuppy Wall Street” e a Primavera Árabe. A troca de experiências tão diferentes foi um dos principais pontos positivos do evento, na opinião de Ignácio Ramonet, criador do Le Monde Diplomatique e autor de vários livros sobre comunicação.


Com um balanço positivo do encontro, Ramonet destacou ainda a importância da aprovação da carta final e da continuidade do movimento. “A carta dá um sentido ao encontro, que tem um propósito de política comunicacional, como uma dimensão fundamental para uma sociedade mais progressista e mais avançada”, disse.


O documento aprovado no último dia, no auditório da Itaipu, traz em seu texto a luta pela liberdade de expressão e pela pluralidade informativa e contra qualquer tipo de censura e perseguição política, a defesa do acesso à banda larga universal e a neutralidade na rede e de marcos regulatórios que garantam uma comunicação democrática e plural, entre outros pontos, que fizeram parte dos debates.


Em relação ao marco regulatório de comunicação, foi sentida a ausência do ministro Paulo Bernardo, que não enviou representante. A última mesa do encontro reuniu a ministra da área do Peru, Blanca Josales, o ex-ministro da Venezuela, Jesse Chacón, e o integrante que elaborou a “Ley de Medios” na Argentina, Damian Loreti.


Chácon ressaltou que a comunicação deve ser vista como um direito humano e questionou quem controla as tecnologias de informação hoje. “Revolução tecnológica e informacional não é sinônimo de revolução social”, afirmou. Já o argentino relatou como se deu o processo de regulamentação em seu país, com ampla participação da sociedade civil, que debate em audiência pública as concessões de rádio e TV.


Blanca anunciou que, em junho de 2012, o Peru irá promover o Encontro de Blogueiros da América Latina. Antes disso, em maio, haverá o 3º Encontro Nacional em Salvador (BA). E, ainda, serão realizados diversos encontros estaduais. As etapas nos estados reuniram cerca de três mil pessoas em 18 blogprog, como ficou conhecido. O Nacional foi realizado em Brasília, em junho, reunindo aproximadamente 500 pessoas presencialmente e 37 mil assistindo pela internet.


Romper o silêncio
Um dos debates presentes nos encontros é o papel da internet para as transformações sociais. Para Andrés Thomas Conteris, do Democracy Now, em espanhol, atualmente há um novo tipo de jornalismo, que vai onde está o silêncio. “Somos parte de uma comunidade mundial que se compromete em informar de outra maneira que não as das rádios e veículos dominantes”, disse.


Somente com as novas tecnologias, foi possível que o argentino Martin Granovsky, do jornal Página 12, contasse como os jornalistas dos veículos tradicionais brasileiros fizeram a cobertura da entrega do título de doutor honoris causa ao ex-presidente Lula. Segundo ele, ficou claro o preconceito da mídia brasileira, que “não aceita a Senzala ter chegado à Casa Grande”, em referência ao livro de Sérgio Buarque de Holanda. Granovsky divulgou na internet a pergunta da jornalista do jornal O Globo que questionou por que não conceder o título ao ex-presidente FHC, mas a Lula, que sequer curso superior possui. No dia, a hashtag #porquenaofhc ficou entre os principais assuntos do Twitter.


Fatos como esse mostram o poder da internet para compartilhar informações. “Se houvesse blogosfera em 2009 talvez tivéssemos conseguido barrar a eleição de Collor em 1989”, afirmou Leandro Fortes, jornalista da revista Carta Capital e editor do blog Brasília eu vi. Ele destacou casos recentes desmascarados pela internet, como o caso da bolinha de papel que atingiu o candidato à presidência José Serra no ano passado. Fortes ainda ressaltou como as redes sociais alteraram a relação do leitor com o jornalista, o que, para ele, pode ser positivo, mas a “velha mídia” está se afastando disso.


Na opinião de Altamiro Borges, presidente do Centro de Estudos Barão de Itararé, a “comunicação só vai avançar se o movimento social se apropriar dessa causa”. Joaquim Palhares, da Altercom, que junto com o Barão realizou o encontro, afirmou que os veículos dominantes têm muitos espaços na sociedade para defender seus interesses. Mas o 1º Encontro Mundial de Blogueiros mostrou que o movimento social pela democratização da comunicação está crescendo.

Não Quero Ser Mais Evangélico! Quero ser Cristão!

"Irmãos, uni-vos! Pastores evangélicos criam sindicato e cobram direitos trabalhistas das Igrejas". Esse, o título da matéria, chocante, publicada pela revista Veja de 9 de junho de 1999 anunciando formação do "Sindicato dos Pastores Evangélicos no Brasil". 
Foi a gota d'água! Ao ler a matéria acima finalmente me dei conta de que o termo "evangélico" perdeu, por completo, seu conteúdo original. Ser evangélico, pelo menos no Brasil, não significa mais ser praticante e pregador do Evangelho (Boas Novas) de Jesus Cristo, mas, a condição de membro de um segmento do Cristianismo, com cada vez menor relacionamento histórico com a Reforma Protestante - o segmento mais complicado, controverso, dividido e contraditório do Cristianismo. O significado de ser pastor evangélico, então, é melhor nem falar, para não incorrer no risco de ser grosseiro.

 
Não quero mais ser evangélico! Quero voltar para Jesus Cristo, para a boa notícia que Ele é e ensinou. Voltemos a ser adoradores do Pai porque, segundo Jesus, são estes os que o Pai procura e, não, por mão de obra especializada ou por "profissionais da fé". Voltemos à consciência de que o Caminho, a Verdade e a Vida é uma Pessoa e não um corpo de doutrinas e/ou tradições, nascidas da tentativa de dissecarmos Deus; de que, estar no caminho, conhecer a verdade e desfrutar a vida é relacionar-se intensamente com essa Pessoa: Jesus de Nazaré, o Cristo, o Filho do Deus vivo. Quero os dogmas que nascem desse encontro: uma leitura bíblica que nos faça ver Jesus Cristo e não uma leitura bibliólatra. Não quero a espiritualidade que se sustenta em prodígios, no mínimo discutíveis, e sim, a que se manifesta no caráter. 


Chega dessa "diabose"! Voltemos à graça, à centralidade da cruz, onde tudo foi consumado. Voltemos à consciência de que fomos achados por Ele, que começou em cada filho Seu algo que vai completar: voltemos às orações e jejuns, não como fruto de obrigação ou moeda de troca, mas, como namoro apaixonado com o Ser amado da alma resgatada. 
Voltemos ao amor, à convicção de que ser cristão é amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos: voltemos aos irmãos, não como membros de um sindicato, de um clube, ou de uma sociedade anônima, mas, como membros do corpo de Cristo. Quero relacionar-me com eles como as crianças relacionam-se com os que as alimentam - em profundo amor e senso de dependência: quero voltar a ser guardião de meu irmão e não seu juiz. Voltemos ao amor que agasalha no frio, assiste na dor, dessedenta na sede, alimenta na fome, que reparte, que não usa o pronome "meu", mas, o pronome "nosso". 


Para que os títulos: "pastor", "reverendo", "bispo", "apóstolo", o que eles significam, se todos são sacerdotes? Quero voltar a ser leigo! Para que o clericalismo? Voltemos, ao sermos servos uns dos outros aos dons do corpo que correm soltos e dão o tom litúrgico da reunião dos santos; ao, "onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu lá estarei" de Mateus 18.20. Que o culto seja do povo e não dos dirigentes - chega de show! Voltemos aos presbíteros e diáconos, não como títulos, mas, como função: os que, sob unção da igreja local, cuidam da ministração da Palavra, da vida de oração da comunidade e para que ninguém tenha necessidade, seja material, espiritual ou social. Chega de ministérios megalômanos onde o povo de Deus é mão de obra ou massa de manobra! 


Para que os templos, o institucionalismo, o denominacionalismo? Voltemos às catacumbas, à igreja local. Por que o pulpitocentrismo? Voltemos ao "instruí-vos uns aos outros" (Cl 3. 16). 
Por que a pressão pelo crescimento? Jesus Cristo não nos ordenou a sermos uma Igreja que cresce, mas, uma Igreja que aparece: "Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus. "(Mt 5.16). Vamos anunciar com nossa vida, serviço e palavras "todo o Evangelho ao homem... a todos os homens". Deixemos o crescimento para o Espírito Santo que "acrescenta dia a dia os que haverão de ser salvos", sem adulterar a mensagem. 



FONTE

Carta de Foz do Iguaçu


Foz Do Iguaçú, 29 de Outubro de 2011
O 1º Encontro Mundial de Blogueiros, realizado em Foz do Iguaçu (Paraná, Brasil), nos dias 27, 28 e 29 de outubro, confirmou a força crescente das chamadas novas mídias, com seus sítios, blogs e redes sociais. Com a presença de 468 ativistas digitais, jornalistas, acadêmicos e estudantes, de 23 países e 17 estados brasileiros, o evento serviu como uma rica troca de experiências e evidenciou que as novas mídias podem ser um instrumento essencial para o fortalecimento e aperfeiçoamento da democracia.
Como principais consensos do encontro – que buscou pontos de unidade, mas preservando e valorizando a diversidade –, os participantes reafirmaram como prioridades:
- A luta pela liberdade de expressão, que não se confunde com a liberdade propalada pelos monopólios midiáticos, que castram a pluralidade informativa. O direito humano à comunicação é hoje uma questão estratégica;
- A luta contra qualquer tipo de censura ou perseguição política dos poderes públicos e das corporações do setor. Neste sentido, os participantes condenam o processo de judicialização da censura e se solidarizam com os atingidos. Na atualidade, o WikiLeaks é um caso exemplar da perseguição imposta pelo governo dos EUA e pelas corporações financeiras e empresariais;
- A luta por novos marcos regulatórios da comunicação, que incentivem os meios públicos e comunitários; impulsionem a diversidade e os veículos alternativos; coíbam os monopólios, a propriedade cruzada e o uso indevido de concessões públicas; e garantam o acesso da sociedade à comunicação democrática e plural. Com estes mesmos objetivos, os Estados nacionais devem ter o papel indutor com suas políticas públicas.
- A luta pelo acesso universal à banda larga de qualidade. A internet é estratégica para o desenvolvimento econômico, para enfrentar os problemas sociais e para a democratização da informação. O Estado deve garantir a universalização deste direito. A internet não pode ficar ao sabor dos monopólios privados.
- A luta contra qualquer tentativa de cerceamento e censura na internet. Pela neutralidade na rede e pelo incentivo aos telecentros e outras mecanismos de inclusão digital. Pelo desenvolvimento independente de tecnologias de informação e incentivo ao software livre. Contra qualquer restrição no acesso à internet, como os impostos hoje pelos EUA no seu processo de bloqueio à Cuba.
Com o objetivo de aprofundar estas reflexões, reforçar o intercâmbio de experiências e fortalecer as novas mídias sociais, os participantes também aprovaram a realização do II Encontro Mundial de Blogueiros, em novembro de 2012, na cidade de Foz do Iguaçu. Para isso, foi constituída uma comissão internacional para enraizar ainda mais este movimento, preservando sua diversidade, e para organizar o próximo encontro